Florence Nightingale: Mãe da Enfermagem Moderna


Florence Nightingale nasceu em 12 de maio de 1820, em Florença na Italia, de onde recebeu seu nome. Florence vem de uma família rica, por isso ela era culta, muito viajada e foi educada em padrões superiores aos que recebiam as mulheres na época, com expressivo conhecimento em ciências, matemática, literatura e artes, além de filosofia, história, política e economia, dando-lhe caráter bastante diferenciado. Aos 17 anos já dominava vários idiomas e era extremamente bem informada. 


Por ser de uma família com uma posição econômica e social alta, as pessoas esperavam que ela escolhesse um parceiro agradável, se casasse, e assumisse o seu papel na sociedade, mas Florence tinha outras idéias e queria se tornar enfermeira. Sua família não apoiou essa decisão. Então ela passou a coletar informações sobre a saúde pública e sobre os hospitais e logo se tornou uma importante autoridade no assunto. 


Em 6 de julho de 1851, Florence é admitida no Institudo do Pastor Fliedner em Kaiserswerth, permanecendo lá por três (3) meses. 
À medida que o seu conhecimento sobre os hospitais e sobre a reforma da enfermagem crescia, ela era consultada por reformuladores e médicos, que estavam começando a ver a necessidade de enfermeiras “treinadas”. 
Quando a Guerra da Criméia explodiu, os correspondentes de guerra escreveram a respeito da maneira abominável pela qual os soldados doentes e feridos eram cuidados pelo Exército Inglês. Florence, já então uma autoridade reconhecida em cuidados hospitalares, ofereceu-se para levar um grupo de 38 auxiliares para a Guerra da Criméia. 


Envolvida pela busca incessante nesta melhoria da qualidade da assistência, Nightingale criava condições para o bem-estar dos feridos de guerra ou não, incentivando e exigindo infra-estrutura humanitária e social, como lavanderia, biblioteca, redação de cartas e até meios para que os soldados tivessem como economizar seus salários, além de um hospital para as famílias que estivessem nas frentes de batalhas. 


Ela não concordava com as condições no país, que restringia a participação da mulher na política social e governamental. Sua missão foi extremamente penosa, pela rejeição à figura da mulher nesse tipo de condição.  Preocupava-se com o conforto aos enfermos e aos que estavam em estado terminal, envolvendo-se em questões administrativas de eficácia e eficiência plenamente reconhecidas por seus superiores. 


Suas conquistas na Criméia foram impressionantes, embora tenham afetado seriamente a sua própria saúde. Florence não conhecia o conceito de contato por microorganismos, uma vez que este ainda não tinha sido descoberto, porém, já acreditava em um meticuloso cuidado quanto à limpeza do ambiente e asseio pessoal, ar fresco e boa iluminação, calor adequado, boa nutrição e repouso, com manutenção do vigor do paciente para a cura. 


Ao longo de toda Guerra da Criméia, Florence conseguiu reduzir consideravelmente taxas de mortalidade. Os níveis era de 43%  caracterizada muito mais pela transmissão de contaminantes e biológicos do que por ferimentos na batalha. A sua intervenção ambiental reduziu, em menos de seis meses, esta taxa para apenas 2,2%, conquistando reconhecimento e respeito pelo trabalho desenvolvido.


Após o termino da guerra ela dedicou-se ao ensino da enfermagem, estimulando e abrindo escolas de enfermagem, marcando sua época na profissão. 
Florence faleceu em 13 de agosto de 1910, e esta data é até hoje celebrada, sendo considerada como a Mãe da Enfermagem Moderna.


A Enfermagem com o modelo de Florence se difundiu por todo o mundo, o cuidado baseado na ética, no compromisso, na organização, na higiene e que valorizasse e visse o ser como gente, e não como fonte de lucro e de experiências. 


"Para que o doente se recupere é preciso que se tenha um ambiente agradável. O ambiente, é fundamental no processo do cuidado. Quando o ambiente não é bom, sem dúvida o não-cuidado está presente. Quando se fala em ambiente, quer dizer ele em vários aspectos, físicos, psicológicos (as pessoas que nele trabalham), a organização, a forma como se encontra limpo/sujo, silêncio/ barulho." 


Toda e qualquer pessoa para sobreviver precisa de cuidado, sem ele com certeza a pessoa apenas vegetará, sem nenhum sentimento de pertencer ao planeta. Se a pessoa não recebe cuidado, ele fará o mesmo, ou seja, ele não cuidará. Quando a pessoa sente o cuidado dentro de si, ela passa para o outro. 


Nightingale utilizou intensamente a observação dos fatos e eventos, associando-os à incidência e prevalência dos agravos e da doença como abordagem dos cuidados de enfermagem a serem desenvolvidos. Esses conhecimentos e a sábia utilização de conceitos administrativos organizacionais e estruturais se instituíram no principal enfoque de seu trabalho, com adequado controle ambiental, envolvendo indivíduos e famílias no processo. 


Enfatizava a importância da ventilação e iluminação nos quartos dos pacientes, escrevendo “Notes and Nursing”, como forma de orientação aos cuidados em Enfermagem, que se constituiu em um marco sobre a organização e manipulação dos ambientes dos enfermos. Interpretava a doença como um processo reparador, definindo a enfermagem como diagnóstico e tratamento das respostas humanas aos problemas de saúde vigentes ou potenciais. 


Também trabalhou com enfoque nas características ambientais gerais, como iluminação, ruído, ventilação, higiene ambiental, cama, roupa de cama e nutrição. O desequilíbrio entre estes exigiria maior energia do indivíduo, assim, originando o estresse e prejudicando a recuperação e reabilitação do enfermo. Seus conceitos e idéias se estendiam, inclusive, aos domicílios, ressaltando a importância da água pura e higiene ambiental e pessoal como fatores de saúde. Acreditava que a pessoa poderia adoecer se respirasse seu próprio ar, sem renovação, e preocupava-se com o ambiente externo às casas como fator de desequilíbrio (poluição, gases, excrementos). Tinha atenção especial com os utensílios dos enfermos, como louças. Cuidava, com a mesma atenção, da temperatura dos ambientes. 


Com relação à luz, enfatizava a importância da luz solar para a saúde e alertava para o fato de os hospitais da época não atentarem para esse aspecto durante suas respectivas construções. Quanto ao ruído, era bastante enérgica e rigorosa com relação aos sons ambientais que importunavam os pacientes e exigia que a enfermeira sob seu comando estivesse sempre atenta a essa questão.





Postar um comentário

0 Comentários
* Por favor, não spam aqui. Todos os comentários são revisados ​​pelo administrador.